Cansei de Ouvir Música Velha

Mesa de som

Como foi feito

O Início:
De Acidentes e Intenções

Diário xamânico

Não sou músico. Estudei violão três vezes e desisti em todas, vencido pela ansiedade das escalas. Mas a música nunca me deixou.

Carregava comigo uma base teórica e, principalmente, 11 poemas chaves escritos ao longo de décadas de prática xamânica. Em janeiro de 2025, soube da IA musical e resolvi fazer uma brincadeira, que revelou um caminho: senti que queria ouvir meus poemas cantados, Cansei de Ouvir Música Velha.

Desenhos do diário xamânico

A Primeira Versão:
O "Pescador" de Melodias

Monitores e prompt musical

No início, eu era como um pescador tentando a sorte em um lago. Colocava o estilo no prompt e esperava a IA decidir tudo. O resultado era bom, mas “quadrado”. Faltava o erro humano. Meus amigos músicos sentiam o som robótico, e eu sabia que eles tinham razão. O som era perfeito demais, e a perfeição não é humana.

A Descoberta:
O Código da Imperfeição

A virada de chave veio ao ouvir uma crítica sobre álbuns de IA com milhões de acessos, mas sem alma. Entendi que faltava a variação na pressão da bateria, a micro desafinação e o vibrato expressivo. Fui estudar. Entre guias técnicos e manuais, descobri que poderia usar tags para controlar o instrumental.

A Briga do Prompt:
Harmonia e Intento

Não satisfeito, mergulhei ainda mais fundo. Com a ajuda de amigos músicos veteranos, aprendi sobre groove, contraponto e swing

Capa e vinil Brave New World

Refiz o álbum inteiro. Criei comandos de “humanização” usando termos técnicos: unquantized timing, alterações orgânicas na pressão e dinâmicas vocais. O som passou da água para o vinho.

O álbum passou por quatro versões completas. Na versão final, eu já não deixava a IA decidir tudo: eu definia o sentimento de cada verso. Escolhia os pedais de guitarra, o brilho do amplificador valvulado e até a respiração simulada de uma flauta de madeira. A IA ainda controla algumas coisas, ela é bem teimosa; por isso, ainda brigo com o prompt.

O Resultado: 3.000 Versões Depois

F oram mais de 3.000 gerações e um ano de trabalho intenso nas horas vagas (janeiro a dezembro de 2025). A IA não substituiu o músico; ela exigiu que eu me tornasse um diretor, um curador e um estudioso. Brave New World não é um álbum feito “por um botão”, é o resultado de uma briga constante entre o meu intento humano e as possibilidades da máquina.

Conclusão

Se uma pessoa como eu, que não é músico e conhece somente o básico, conseguiu esses resultados, imagine um músico? A IA é apenas uma ferramenta. Talvez ela possa ajudar a música a sair do hiato em que se encontra atualmente. Ela não vai substituir o músico.

Estudo de Caso:
The Ancient Oracles No Longer Speak

Nesta faixa, o nível de detalhe técnico atingiu o seu ápice. Tentei em todas as versões anteriores inserir a cítara, mas só consegui o resultado desejado na Versão 04, quando compreendi a hierarquia dos clusters e o estilo. O desafio foi criar uma textura que fundisse o Rock do deserto com acentos indianos (Hindustani), usando modulações psicodélicas como o Slow Tremolo e o Sidechain pumping para dar movimento à música.

04 THE ANCIENT ORACLES NO LONGER SPEAK

Style: progressive desert rock, Indu Hindustani accents, blues swing, powerful crescendo, psychedelic vibe, exciting melody, bass female raspy vocals, Mystery

[human variation] [live room sound] [organic recording] [subtle tempo drift]
[dynamics: natural breathing] [hand-played instruments] [expressive bends]

[instrumental introduction – 1 bar – fingerpicking and strumming, zither and steel-string acoustic guitar texture] [guitar mid overdrive, light reverb guitar style surf rock amplitude modulation: Sidechain pumping, Slow Tremolo Depth, vintage reverb, low-rate amplitude modulation, atmospheric and hypnotic.]

[Verse 1] [ 2 bars – Smooth drum intro, along with fingerpicking steel-string acoustic guitar and bass.]

If something pushes me toward the unknown void
Who are my wise masters?
On which mountain are they hidden?
The ancient oracles no longer speak
Great sages have become legends in fiction stories

[Pre-Chorus] [1 bar – mid crescendo, powerful chorus, drum crescendo]

Old tribes ceased their rituals

[Bridge – Climax] [2 bars – Pulsating the crescendo in power blues rock, Bring in electric guitar, light distortion and reverb, light bass and drums as the base, mid mellotron accents.] [crescendo – natural dynamics rising]

There are no immutable certainties anymore
And the world of reason has become volatile
Reality is now surreal
Are fermions and bosons the new masters?
Are the great sages physicists and their quantum theories?
New tribes ritualize in the dance of superstrings

[Guitar Solo – 2 bars] [blues escale] [complex and expressive phrases, long bends] [electric guitar, light distortion and reverb, human bends, sustained notes, mellotron accents]

[Verse 2] [2 bars – [guitar mid overdrive, light reverb guitar style surf rock amplitude modulation: Sidechain pumping, Slow Tremolo Depth, vintage reverb, low-rate amplitude modulation, atmospheric and hypnotic, mellotron accents.]

Myths are now stories in archaeology books
Old gods are just carvings
on stones of ancient sites
No new legends exist
Nor do the Vedas echo a glorious past

[Chorus] [1 bar mid crescendo, powerful chorus, drum crescendo]

New tribes no longer have rituals

[Outro] [ 1 bar -smooth exit with fingerpicking acoustic steel-string guitar and bass accents]

There’s no vision of paradise anymore
Nor the drum of old tribes
The candles are going out

[Fade to end – zither and steel-string acoustic guitar texture] [warm tone – slow vibrato – natural decay]

 

Album BRAVE NEW WORLD – Robson Seloti – 2025 ©